Muito antes da explosão da internet no mundo, a cultura underground já buscava maneiras diversas de se propagar. Com flyers, zines e as lendárias fitas tapes que rodavam o mundo através de cartas com endereços de destino de qualquer etiqueta de camiseta. Exatamente, etiqueta de camiseta. A pessoa recolhia aquele endereço da etiqueta e mandava sua bela fitinha para a Rússia, ou para a China.

Com o advento da internet as coisas mudaram. Dá pra dizer até que as bandas independentes nasceram novamente. Com ferramentas como MSN, Myspace, Orkut, Flikr e tantas outras, ficou muito mais fácil e rápido de trocar material. A banda No Rest, de Porto Alegre, é o exemplo mais recente desta transição. No início da década de 90, quando a internet ainda engatinhava aqui no Brasil, a banda resolveu fazer uma tour pela Europa. Segundo Aline, a vocalista e líder da banda, as coisas funcionavam assim: “Mandamos uma carta para um endereço que achamos em um zine punk dizendo que queriamos tocar na frança!”. Vinte dias depois, a resposta: “Ok, quando vocês chegam?”. E assim caminhavam as coisas.

Dois anos depois da primeira ida da banda para a Europa, a internet já estava bombando em terras brazucas, o que facilitou demais a volta deles para o velho mundo.

Obviamente esse é só mais um exemplo de que a troca de arquivos e as novas possibilidades de divulgação, prejudica apenas o lado mais rico de toda essa história, e que o Napster foi somente mais uma tentativa das grandes gravadoras de acabar com a pluralidade que torna a rede mundial de computadores o fenômeno que é hoje.

Anúncios